De todas, a maior.
Um gole de lágrimas a cada soluço. Uma nova dor, como um pequeno estilete na veia, vindo para mostrar que é assim que acaba um sonho.
E dentre tudo que pode ser elencado como o pior, o pior mesmo é não saber.
Não saber onde tudo começou para terminar assim. Nem em qual ponto da verdade estivemos perdidos em nossa imaginação.
Não saber se encaramos os fatos da forma como deveríamos ou se esses fatos se quer deveriam ser encarados, vistos, notados. Não saber como tudo não pôde fluir, leve, como a brisa que soubemos tanto apreciar.
Nem ao menos saber se era mesmo necessário se sentir dessa forma, colher as ocasiões como frutos estragados. A pura incapacidade de enxergar à diante, logo ali, onde provavelmente estaria a solução. E não saber se é correto tentar resolver na hora ou deixar que o coração lhe explique sem razão que é melhor deixar assim, quietinho.
Não saber em que ponto deveríamos descer das discussões que começavam e não entender como fomos capazes de não olhar através delas, logo ali onde os olhos do outro apelavam pelo fim das dores e pelo início do abraço.
Não saber como foi que deixamos de nos compreender ou se algum dia chegamos a esse glorioso instante. Entender que o outro é diferente, que se porta diferente e que reage diferente em momentos de crise.
Não saber em qual cesto de lixo foi jogado o melhor de nós, ainda que sujo e em decomposição, para que pudesse ser resgatado e novamente entregue ao outro. E não saber se o melhor de nós é pra ser entregue ou guardado.
Não saber se eu deveria ter me comedido, me fatiado. Sido apenas pela metade, sem grandes preocupações, sem grandes esperanças. Ou se era melhor que não houvessem porcentagens em instante algum. Há beleza em ser alguém por inteiro? Alguém mais admira um amor que não se mede, que não restringe, que é amor e simplesmente faz seu papel?
Não saber em que momento começou a desandar para que corrêssemos desenfreados atrás de tudo aquilo que julgamos ser a razão de nosso dia amanhecer. Por que não nos demos as mãos e disparamos ao encontro da nossa pureza que escorria pelo ralo?
Não entender como fomos capazes de não nos diferenciar. E ver que aquilo que esperamos para nós nem sempre é visto da mesma janela. Talvez na do outro houvesse uma cortina, ou madeiras de interditado. A opinião que buscávamos perdida atrás de preconceitos ou manias infundadas.
Não saber se tanto amor era para ser assim, desviado de nossas próprias artérias, para ser bombeado pelo coração do outro. Mas não saber se não é exatamente isso que estávamos esperamos quando abrimos o peito para deixar que o outro se instalasse confortavelmente.
Não saber se o tempo será um bom menino e se encarregará das lições de praxe ou será violento como todos os furacões que se fazem em nossos suspiros de saudade.
Dizem que a beleza das coisas está no tempo que elas duram. Mas como não acreditar que ainda poderia ser lindo? Talvez a flor tivesse nos encantado quando começou a desabrochar e a podamos antes de ver todas as pétalas.
É errado não querer ver ir embora o sonho realizado, que há poucos segundos estava firme entre os dedos e agora mostra-se em mil cacos no chão de nossa alma?
Mas eu sei, eu sei que vai passar.
Passarão as noites que fomos observados pela lua, passará o inverno que nos aproximou pelo frio e o verão que nos afastou pelo calor do ódio.
Irão embora os olhares que nos acalmaram, se extinguirão os abraços que nos carregaram para os sonhos, se perderá a voz que embalou nosso adormecer e junto com ela partirão as três palavras que incendiaram nossa vida.
Finalmente, então, ficará distorcido o sorriso que um dia foi o motivo do nosso próprio. E então estaremos aptos a andar de bicicleta de novo, enfrentar novos cães, fazer outras receitas com bacon, ver pinguins dançando sem recordar nada, ficar doente sem esperar visita, começar a gostar de outro salgadinho, a ver outras imagens que se formam nas nuvens, procurar novas músicas que não falem tanto que é possível se a gente quiser. Finalmente poderemos nos enrolar em outros braços, sentir outro perfume, gostar de outra voz. Poderemos não mais abraçar travesseiros, não mais brincar de aviãozinho, não mais ver as fotos antigas e as filmagens de bebê. Nos contentaremos em não andar de mãos dadas, não apreciar o fogo que crepita na lareira, não admirar luares em madrugadas soltas.
Ou, quem sabe, o tempo nos obrigue a guardar todas as recordações tão profundamente que nem que nos afogássemos no mar das nossas lágrimas seríamos capazes de enfrentar a dor de ver partir algo que esteve. Esteve no formato de qualquer colchão, mas maior do que o próprio coração. Pena mesmo foi ele ter arrebentado as paredes arteriais e ter escorrido todo.
Saberemos, por fim, que a nossa história não pode ser feita constantemente dos melhores momentos de nossa vida de uma vez só. Essas coisas só acontecem uma vez e é o que vamos contar quando os dedos de três gerações não conseguirem mais apontar nossa idade.
Mas de todas, a maior dor é não saber se esse era o para ser o final do melhor filme que eu já vi.
E dentre tudo que pode ser elencado como o pior, o pior mesmo é não saber.
Não saber onde tudo começou para terminar assim. Nem em qual ponto da verdade estivemos perdidos em nossa imaginação.
Não saber se encaramos os fatos da forma como deveríamos ou se esses fatos se quer deveriam ser encarados, vistos, notados. Não saber como tudo não pôde fluir, leve, como a brisa que soubemos tanto apreciar.
Nem ao menos saber se era mesmo necessário se sentir dessa forma, colher as ocasiões como frutos estragados. A pura incapacidade de enxergar à diante, logo ali, onde provavelmente estaria a solução. E não saber se é correto tentar resolver na hora ou deixar que o coração lhe explique sem razão que é melhor deixar assim, quietinho.
Não saber em que ponto deveríamos descer das discussões que começavam e não entender como fomos capazes de não olhar através delas, logo ali onde os olhos do outro apelavam pelo fim das dores e pelo início do abraço.
Não saber como foi que deixamos de nos compreender ou se algum dia chegamos a esse glorioso instante. Entender que o outro é diferente, que se porta diferente e que reage diferente em momentos de crise.
Não saber em qual cesto de lixo foi jogado o melhor de nós, ainda que sujo e em decomposição, para que pudesse ser resgatado e novamente entregue ao outro. E não saber se o melhor de nós é pra ser entregue ou guardado.
Não saber se eu deveria ter me comedido, me fatiado. Sido apenas pela metade, sem grandes preocupações, sem grandes esperanças. Ou se era melhor que não houvessem porcentagens em instante algum. Há beleza em ser alguém por inteiro? Alguém mais admira um amor que não se mede, que não restringe, que é amor e simplesmente faz seu papel?
Não saber em que momento começou a desandar para que corrêssemos desenfreados atrás de tudo aquilo que julgamos ser a razão de nosso dia amanhecer. Por que não nos demos as mãos e disparamos ao encontro da nossa pureza que escorria pelo ralo?
Não entender como fomos capazes de não nos diferenciar. E ver que aquilo que esperamos para nós nem sempre é visto da mesma janela. Talvez na do outro houvesse uma cortina, ou madeiras de interditado. A opinião que buscávamos perdida atrás de preconceitos ou manias infundadas.
Não saber se tanto amor era para ser assim, desviado de nossas próprias artérias, para ser bombeado pelo coração do outro. Mas não saber se não é exatamente isso que estávamos esperamos quando abrimos o peito para deixar que o outro se instalasse confortavelmente.
Não saber se o tempo será um bom menino e se encarregará das lições de praxe ou será violento como todos os furacões que se fazem em nossos suspiros de saudade.
Dizem que a beleza das coisas está no tempo que elas duram. Mas como não acreditar que ainda poderia ser lindo? Talvez a flor tivesse nos encantado quando começou a desabrochar e a podamos antes de ver todas as pétalas.
É errado não querer ver ir embora o sonho realizado, que há poucos segundos estava firme entre os dedos e agora mostra-se em mil cacos no chão de nossa alma?
Mas eu sei, eu sei que vai passar.
Passarão as noites que fomos observados pela lua, passará o inverno que nos aproximou pelo frio e o verão que nos afastou pelo calor do ódio.
Irão embora os olhares que nos acalmaram, se extinguirão os abraços que nos carregaram para os sonhos, se perderá a voz que embalou nosso adormecer e junto com ela partirão as três palavras que incendiaram nossa vida.
Finalmente, então, ficará distorcido o sorriso que um dia foi o motivo do nosso próprio. E então estaremos aptos a andar de bicicleta de novo, enfrentar novos cães, fazer outras receitas com bacon, ver pinguins dançando sem recordar nada, ficar doente sem esperar visita, começar a gostar de outro salgadinho, a ver outras imagens que se formam nas nuvens, procurar novas músicas que não falem tanto que é possível se a gente quiser. Finalmente poderemos nos enrolar em outros braços, sentir outro perfume, gostar de outra voz. Poderemos não mais abraçar travesseiros, não mais brincar de aviãozinho, não mais ver as fotos antigas e as filmagens de bebê. Nos contentaremos em não andar de mãos dadas, não apreciar o fogo que crepita na lareira, não admirar luares em madrugadas soltas.
Ou, quem sabe, o tempo nos obrigue a guardar todas as recordações tão profundamente que nem que nos afogássemos no mar das nossas lágrimas seríamos capazes de enfrentar a dor de ver partir algo que esteve. Esteve no formato de qualquer colchão, mas maior do que o próprio coração. Pena mesmo foi ele ter arrebentado as paredes arteriais e ter escorrido todo.
Saberemos, por fim, que a nossa história não pode ser feita constantemente dos melhores momentos de nossa vida de uma vez só. Essas coisas só acontecem uma vez e é o que vamos contar quando os dedos de três gerações não conseguirem mais apontar nossa idade.
Mas de todas, a maior dor é não saber se esse era o para ser o final do melhor filme que eu já vi.
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